A liderança do futuro

Businesswoman loking away outdoors

A incrível capacidade de adaptação do ser humano nos diferenciou de tantas outras espécies e nos fez dominar o mundo.

Porém, até a capacidade de adaptação do ser humano tem seus limites. No mundo da Lei de Moore, onde a tecnologia evolui exponencialmente e as dinâmicas do mercado mudam em um piscar de olhos, o homo sapiens tem tido esta habilidade posta à prova. Temos visto isso em diversas áreas da sociedade, nas questões relacionadas à privacidade, fake news e impacto das tecnologias na democracia: estamos em um mundo que muda mais rápido que nossa capacidade cognitiva de compreendê-lo, interpretá-lo e nos adaptar a ele.

Mas o que a liderança no mundo dos negócios tem a ver com tudo isso?

Vivemos em um mercado de mudanças cada vez mais rápidas. No mundo “VUCA” (volátil, incerto, complexo e ambíguo – no acrônimo em inglês), sobrevivem as organizações que terão a agilidade como sua principal vantagem competitiva.

Vemos a emergência de novos processos, como na adoção de metodologias ágeis e de Design Thinking em diversas grandes organizações. Um formato de gestão inicialmente restrito às startups, mas que está cada vez mais comum em grandes multinacionais. Vemos também o crescimento de novas ferramentas, como softwares de gestão na nuvem, para trazer mais velocidade e qualidade no acesso à informação e à tomada de decisão.

Mas um componente fundamental nessa transformação são as pessoas. Novos processos e novas ferramentas não irão gerar o efeito desejado sem o componente humano, pois potencializam o comportamento dos indivíduos, mas não o substituem.

Os limites da nossa capacidade humana de adaptação se transformam em barreira que impede a aceleração de transformação nas organizações. Este é o maior desafio, uma vez que processos podem sempre serem iniciados do zero; softwares de gestão são atualizados e deletados, mas os seres humanos carregam costumes e hábitos não tão fáceis de “resetar”.

O líder é o responsável por criar a cultura organizacional vencedora nesse novo modelo de negócios. E o líder organizacional da 4ª Revolução Industrial será bem diferente do lider da 3ª, porque o ambiente e os fatores de sucesso já são completamente diferentes. E é surpreendente o quanto ainda ensinamos, nas escolas e nas empresas, uma cartilha de liderança ultrapassada.

E o que devemos esperar desse lider do futuro?

O futurista. Na liderança do futuro, o papel do líder será indissociável do acelerador de transformação e inovação dentro de uma organização. Não existe mais possibilidade de vencer no mercado sem se antecipar (e criar) as mudanças tecnológicas e sociais. É preciso que a liderança tome como responsabilidade indelegável garantir que sua organização esteja orientada ao futuro.

Cultura como prioridade. Só será possível garantir a agilidade necessária para operar nesse novo modelo com a cultura organizacional que o acompanhe. E essa será outra função chave da liderança do futuro. Já é extremamente importante na agenda organizacional nos dias de hoje e essa preocupação só irá crescer. Para inovar com velocidade, a cultura de fluidez, adaptação, foco no consumidor e no futuro são características fundamentais e a liderança será a responsável por criar ambientes que as permitam e estimulem.

Criatividade e Colaboração. Quanto mais processos forem delegados e automatizados, mais as empresas dependerão de pessoas. Contraintuitivo? Sim, mas pense bem: à medida em que os custos de adoção de tecnologias forem caindo, uma grande vantagem competitiva das organizações será fazer com excelência aqueles processos que não podem ser automatizados. E nesse contexto, criatividade e colaboração são competências essenciais (e escassas!).

E não pense que estamos falando somente da área de marketing. Se no futuro toda empresa será uma empresa de software, será também uma empresa de criatividade. Aliás, o Fórum Econômico Mundial publicou um relatório onde destaca a criatividade entre três principais habilidades profissionais para 2020. O assunto é sério. Os ambientes mais inovadores são os mais colaborativos, onde pessoas tem mais facilidade em trocar insights, informações, estímulos e ideias.

Propósito. “Onde queremos chegar e porque queremos chegar?” será a pergunta chave dos colaboradores do futuro. As novas gerações que entram no mercado de trabalho querem muito mais do que um trabalho: elas querem senso de pertencimento, realização e “salário emocional”. Querem utilizar sua energia produtiva em uma causa que acreditem. Estamos na era da integração entre a vida profissional e pessoal, e propósito ja é muito mais do que um cliche corporativo: é uma ferramenta crucial para aquisição e retenção de talentos.

O lider da organizacao de baixo para cima e não-hierárquica. Organizações que operam “de cima para baixo” são ótimas em garantir padronização e eficiência. Na organização onde o chefe comunica sua ordem para seus executivos, que a replicam através da organização, você pode ter certeza que a mensagem vai chegar de forma uniforme, organizada e eficiente. A metáfora da empresa do passado era a de um grande exército, no qual o general dita as ordens cadeia hierárquica abaixo e todos a seguem, sem opinar.

Porém, a empresa do futuro será muito mais parecida com uma outra unidade militar, os pelotões de elite, como os navy seals americanos. Por operar em um sistema de operações especiais extremamente imprevisíveis, eles são altamente treinados e altamente empoderados para tomar decisões rápidas e se adaptar sem necessitar de orientacoes do alto comando.

E tem mais: ele precisa ser embaixador da inclusão e diversidade. Todos os pontos acima são invalidados caso a organização seja formada por um “exército de clones”, com as mesmas perspectivas. Criatividade que agrega valor de verdade esta intimamente ligada a diversidade.

A economia e o mercado de hoje já são bem diferentes de dez anos atrás e serão praticamente irreconhecíveis nos próximos dez. O ser humano tem uma grande capacidade de adaptação, mas ela não é ilimitada, então estar preparado para essas mudanças exigirá um grande esforço e um certo nível de “dor” por parte das instituições e de indivíduos. Isso é, ao mesmo tempo, um problema e uma oportunidade. Os líderes que souberem compreender essa dinâmica e souberem se adaptar a ela, desenvolvendo os skills necessários, sairão na frente.

Artigos relacionados