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Desde que Mark Zuckerberg anunciou a mudança de nome do Facebook para Meta, o conceito de metaverso ganhou visibilidade e foi amplamente discutido. Mas o que será o metaverso, e qual o impacto para nossas vidas?

O termo metaverso surgiu pela primeira vez em 1992 em um livro de ficção científica chamado “Snow Crash”, escrito por Neal Stephenson. Nessa história, as pessoas usam o metaverso para escapar de uma realidade dura, de privação, sofrimento e autoritarismo. Através desse “universo paralelo”, era possível viver uma outra realidade, mais positiva. Em uma passagem do livro, o autor descreve o que seria esse novo ambiente, informando aos leitores que o protagonista da história, Hiro, “na verdade não está ali. Ele está em um universo gerado informaticamente que o computador desenha sobre os seus óculos e bombeia para dentro de seus fones de ouvido. Na gíria, este lugar imaginário é conhecido como metaverso”. 

Quase 30 anos após a experiência vivida por Hiro, o metaverso começa a se mostrar como uma possibilidade para nós. A ideia de acessar uma espécie de mundo paralelo através de uma imersão não é  novidade: ferramentas como realidade virtual já existem e nos permitem viver essa experiência. O universo dos games é um precursor desse conceito e já nos leva a outros mundos há anos: “Second Life”, de 2003, era baseado em um ambiente virtual e tridimensional simulando a vida real e social do ser humano através de avatares. “The Sims”, de uma maneira mais simples, também se baseia no mesmo conceito. E o que dizer de “Fortnite”, que permite ao usuário participar de festivais de música, visitar lojas, fazer compras e interagir com pessoas?

Mas o que faz o metaverso ser uma promessa de algo maior? Apesar de ainda estar em uma fase conceitual, existem fatores que indicam um grande potencial para esse novo mundo. O primeiro deles é o foco das grandes empresas de tecnologia em sua criação. A mudança de nome do Facebook deixa claro o interesse da companhia de Zuckerberg: já foram investidos USD 500 Mn no projeto. Microsoft, Roblox e  Epic Games são exemplos de outras gigantes que também já estão trabalhando em seus planos. O metaverso também vem ganhando apoio de outros importantes stakeholders: Seul, capital da Coreia do Sul, será a primeira cidade a permitir acesso a serviços públicos e eventos culturais pelo metaverso. A prefeitura já investiu mais de USD 3 Mn no projeto.

Além de apoiadores, o potencial do metaverso também se baseia na relevância gerada para seus usuários. No exemplo de Seul, toda a administração da cidade estará nesse ambiente, como educação e serviço de atendimento ao cidadão. Uma versão virtual da prefeitura permitirá aos cidadãos se encontrarem com avatares das autoridades para fazerem consultas ou resolverem problemas. Atualmente isso só é possível visitando fisicamente os edifícios do governo. 

A integração entre plataformas também promete ser um diferencial para permitir ao usuário reproduzir todos os aspectos da sua vida no mundo virtual. Seu avatar poderá assistir a um filme no cinema (virtual, claro), encontrar amigos para conversar, comprar roupas e acessórios para usar no metaverso, fazer uma reunião ou uma consulta médica. Poderá inclusive colecionar e comercializar obras de arte através de NFTs. E já existem imobiliárias demonstrando interesse em comercializar “terrenos” nesse novo mundo.

Ao mesmo tempo em que existe uma grande expectativa sobre o potencial do metaverso, ainda existem muitas dúvidas sobre como será sua implementação e viabilidade. Um dos grandes trunfos, a integração entre sistemas e tecnologias, também depende da criação de plataformas compatíveis, para que o usuário possa navegar entre elas: um mesmo avatar deverá transitar por diversos ambientes,  como fazemos no mundo real. Ele poderá visitar a prefeitura de Seul enquanto usa seu whatsapp, e depois ir a uma casa de show assistir a uma apresentação da sua banda favorita. Sem integração entre os diversos ambientes, a experiência metaverso não acontecerá.

Além disso, é necessária uma democratização das tecnologias. Dispositivos de realidade virtual ainda são um instrumento caro, mas serão fundamentais para o metaverso, assim como a melhoria da qualidade gráfica. Ao mesmo tempo, a chegada do 5G também ajudará na velocidade de processamento necessária.

Ainda não sabemos se a viagem que Hiro fazia a um mundo paralelo em “Snow Crash” passará a ser nossa realidade. Mas se as expectativas dos envolvidos na construção do metaverso se confirmarem, em um futuro próximo esse artigo poderá ter sido escrito pelo meu avatar, publicado no ambiente virtual da makers, e lido e compartilhado pelos avatares dos leitores!

Eduardo Abritta

CMO da BAT

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