Vivo, Soundthinkers e Alok: o case que redefine como marcas constroem memória.

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Tempo de leitura: 6 minutos

SEUS INSIGHTS DA SEMANA

  • CEO da Soundthinkers revela a lógica estratégica por trás do som da Vivo.

  • Recalculando a rota: sinais da Gartner para o marketing nos próximos três anos.

  • Dignos de clicar: a curadoria que vai te provocar e te fazer refletir durante a semana.

A tecnologia afetiva através do som | Um manifesto sonoro e ancestral para o Futuro

Texto autoral escrito por Paulo Dytz – CEO & Head of Sound Strategy

Desde o seu lançamento, a Vivo tem o objetivo de humanizar a tecnologia, por isso, seu propósito de Digitalizar para Aproximar está presente em todas as iniciativas.

O desafio da Soundthinkers foi traduzir esse propósito e a tecnologia em som. Para completar sua linguagem de comunicação a Soundthinkers foi a responsável por desenhar a nova estratégia e dna sonoro.

Na primeira fase da nossa metodologia de Sound Thinking, abrimos a escuta e imergimos no universo da marca Vivo, onde analisamos dados sonoros do mercado, realizamos entrevistas com diferentes times internos e parceiros estratégicos. Aqui sempre é um momento chave, onde muitos gestores, responsáveis direta ou indiretamente na construção da marca, manifestam dificuldade em lidar com o assunto som, manifestando que não possuem repertório pra discernir sobre o tema, principalmente junto a parceiros criativos.

Na verdade, o comentário mais recorrente é que se sentem reféns do subjetivo e necessitam de mais informações.

Voltando para a fase de escuta e construção do diagnóstico, identificamos o que chamamos de mandala sonora da marca, onde mapeamos cada ponto de contato por onde a Vivo se manifestava através da música, voz e não-música (uso do silêncio e de ruídos em ambientes digitais e ou físicos, por exemplo).

Aqui nosso desafio era “ler a marca”, compreendendo sua essência, mercado e verificando sua maturidade sonora e do seu segmento, ou seja, se o SOM já estava gerando reforço da mensagem chave, diferenciação e engajamento em diferentes pontos de contato ou se as marcas estavam soando de forma genérica e incongruente com o posicionamento apresentado.

Mas como traduzir o propósito de Digitalizar para Aproximar em som?

Estabelecemos dois pilares chave para nortear todo o viés estético sonoro evocando uma marca inspiracional, que está sempre em movimento e a frente, amplificando momentos bons através do uso da tecnologia. E amigável, por se utilizar de códigos sonoros que traduzem sua essência de simplificar e aproximar.

Na música, direcionamos para o território de cenas eletrônicas musicais atuais com foco não somente na comunicação, mas também em outros pontos de contato como suas lojas físicas, evocando inovação e criando diferenciação entre outros players de mercado. Já na voz da marca, o viés inspiracional trouxe características vocais que carregam um tom sempre jovem adulto, num jeito leve e atual.

Mais do que uma assinatura sonora, nós desenhamos a nova identidade da Vivo através do som.

E esse é um ponto que sempre busca clarificar para líderes que estão à frente da construção de suas marcas dentro e fora do Brasil. Pensar no som não mais como um recurso tático, artístico e consequentemente empírico, mas sim como um fator chave de diferenciação e engajamento com seus públicos de forma estratégica em todo o ecossistema da marca.

E é a partir dessa estratégia sonora que partimos para a etapa de ideação e criação de diferentes ícones sonoros da marca como o novo manifesto e logo sonoro, um convite poderoso para a conexão e a transformação.

Tivemos como foco criar um chamado para refletir sobre o que nos conecta: tecnologia, natureza e, acima de tudo, o viés humano. Após nossa Agência de som definir toda a estratégia e dna sonoro da marca, desenhamos o logo sonoro em parceria com Alok, um dos maiores artistas da música eletrônica mundial.

Tanto o logo quanto o manifesto sonoro combinaram elementos orgânicos e modernos, traduzindo os valores e a essência da Vivo em uma experiência sensorial e emocional única.

No desenho do Sound Logo da Vivo, encontramos uma conexão potente entre seu próprio nome, composto por duas sílabas que traduzem uma habilidade humana e emocional que indicam descontração e felicidade: o assobio.

A partir desse conceito, criamos uma expressão musical com duas notas que soavam de forma cadenciada e ascendente e funcionavam como um chamado para o uso da tecnologia de forma consciente e sadia.

Além do assobio, inspirados pelos sons naturais e pela busca de uma conexão mais profunda com o que é essencialmente humano, criamos texturas sonoras entre o orgânico e o tecnológico. Flautas, percussões e timbres que remetem à natureza se entrelaçam com batidas eletrônicas e sintetizadores modernos, criando uma fusão que traduz o equilíbrio entre inovação e humanidade. Todos os sons foram pensados para ressaltar a estratégia sonora criada, buscando evocar a essência de uma marca que exalta o conceito de digitalizar para aproximar.

Além do logo sonoro, a estratégia também foi traduzida em um manifesto protagonizado pelo próprio Alok, onde cada textura sonora foi pensada. Melodias acolhedoras e harmoniosas evocaram sentimentos de união e proximidade, refletindo o papel da Vivo em conectar pessoas e histórias.

Ritmos pulsantes e camadas eletrônicas, trazendo o avanço e a modernidade que a tecnologia Vivo oferece. Toda a estratégia também foi traduzida para o ambiente das lojas, onde texturas de cenas eletrônicas musicais locais e globais foram cuidadosamente pensadas, respeitando os diferentes humores e outros pontos-chave, como a aderência de determinados estilos musicais a diferentes regiões no Brasil.

A construção sonora é uma constante no universo das marcas, ainda mais em players que buscam estar à frente e querem reforçar seu posicionamento, indo além do fator estético. Por essa razão, em todos os projetos da Soundthinkers que envolvem construção de marca, um dos objetivos centrais é gerar consciência sonora, empoderando líderes para que consigam construir uma narrativa de marca única, sensorial e consequentemente mais humana.

Seguimos na escuta.
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Recalculando a rota: sinais da Gartner para o marketing nos próximos três anos

A cada novo ciclo tecnológico, o marketing passa por uma reorganização. O relatório Marketing Predictions for 2026, da Gartner, indica que estamos diante de uma dessas inflexões estruturais em que se percebe a reconfiguração das jornadas e dos critérios de confiança que sustentam a relação entre marcas e consumidores.

O relatório se organiza em 5 principais movimentos:

1. IA agêntica e a simplificação das jornadas

A Gartner projeta que, até 2028, 60% das marcas utilizarão IA agêntica para viabilizar interações individualizadas, reduzindo a dependência de arquiteturas tradicionais de canais.

Agentes passam a orquestrar pedidos, recomendações e conteúdos em tempo real, enquanto a otimização para motores de resposta transforma jornadas baseadas em sites em jornadas baseadas em conversas.

Isso exige governança robusta de dados e conteúdo, controle dos custos variáveis de APIs e LLMs e equipes capazes de atuar como estrategistas de sistemas. Nem toda demanda requer um agente, mas toda organização precisará entender quando e como utilizá-lo.

2. Autenticidade como investimento prioritário

Até 2027, metade do orçamento de marketing de influência será direcionada a iniciativas de autenticidade e verificação. A presença de conteúdo social no topo dos resultados de busca cresceu de forma significativa, enquanto riscos de deepfakes e desinformação ampliam a exposição reputacional.

A recomendação da Gartner é operar a partir de rotulagem transparente, padrões como C2PA e monitoramento contínuo de criadores.

3. Estruturas componíveis e equipes híbridas

Segundo a Gartner, até 2028 metade dos CMOs migrará para estruturas organizacionais componíveis: a automação redistribui tarefas e torna os organogramas mais modulares e interoperáveis. Pequenas mudanças, porém frequentes, substituem grandes reestruturações.

Nesse cenário, a capacidade de acessar competências especializadas sob demanda torna-se estratégica. Operar em ecossistema permite reorganizar recursos conforme o escopo, mantendo a eficiência e a conformidade.

4. Dispositivos ambientais e jornadas invisíveis

A Gartner estima que 30% das experiências de marca serão mediadas por dispositivos inteligentes ambientais até 2028: sensores, voz e interfaces visuais ampliam a coleta de dados comportamentais e possibilitam análises contextuais em tempo real.

A personalização ganha escala, mas, como já temos alertado em outras análises, também cresce a responsabilidade sobre privacidade, consentimento e segurança da informação.

5. Ceticismo em relação ao comércio totalmente automatizado

Apesar do entusiasmo do mercado, a Gartner projeta que, até 2030, menos de 10% da receita de e-commerce virá de ferramentas de compra baseadas em GenAI voltadas ao consumidor. A principal barreira é a confiança.

A orientação, dessa forma, é priorizar experiências de IA de menor risco, focadas em pesquisa e descoberta, antes de avançar para transações totalmente automatizadas.


Implicações para os CMOs brasileiros

Os próximos três anos exigem decisões estruturais. A adoção de IA, a reorganização das equipes e a expansão para novos ambientes de interação não ocorrerão de forma isolada.

Será necessário operar com agilidade e governança simultaneamente. Trabalhar com um ecossistema curado de parceiros permite ativar a competência certa para cada demanda, seja em tecnologia, dados, criação, verificação de conteúdo ou compliance. Essa lógica reduz dependências fixas, amplia flexibilidade e sustenta inovação com responsabilidade.

Trata-se de um movimento importante, uma verdadeira mudança no modelo operacional.

E nós da BPool estamos prontos para apoiar os CMOs em todas as frentes necessárias para essa evolução.

 

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Nesta edição, quando a Soundthinkers fala sobre identidade sonora aplicada na própria Vivo, ela não está falando de trilha, nem de assinatura de campanha. Está falando de sistema, coerência e de construir um código reconhecível que atravessa todos os pontos de contato da marca e sustenta consistência ao longo do tempo.

Já no conteúdo da BPool, a discussão vai para outro lugar também relevante: o modelo. A forma como as marcas estão reorganizando suas estruturas, redesenhando parcerias e buscando mais inteligência na escolha de quem executa cada camada da operação.

São conversas diferentes, mas que se complementam e chegam a um ponto para você dar atenção: conquistar eficiência sem perder identidade.

Espero que você tenha uma ótima semana. Grande abraço!

 

 

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