CMO da Vigor: “Sejam autênticos. Não tenham medo de errar e estejam sempre abertos a aprender.”

Ao longo desta série, estamos conversando com CMOs que atingiram o topo da carreira. Lideranças que estão à frente de grandes marcas, criam cases incríveis, inspiradores e deixam legados. Hoje, o papo será com a Flávia Drummond, CMO da Vigor, uma executiva de altíssimo escalão, mas que tem o lado humano como uma das skills mais importantes do seu dia a dia. Neste bate-papo, falamos de mercado, do pós-pandemia e de como a indústria brasileira vem se comportando e seus planos de retomada. Além disso, falamos também de carreira, dicas e insights para todos os profissionais de marketing e comunicação. Enjoy!

Thiego Goularte: Flávia, no que você está trabalhando atualmente?

Flávia Drummond: No momento, temos alguns macroprojetos em Marketing. Um deles é um trabalho grande de diagnóstico de Maturidade Digital e priorização de atividades, incluindo CRM, como parte de um processo importante de transformação digital da companhia. O outro é um projeto bem bacana, que ainda não posso abrir inteiramente, mas trata-se do lançamento de uma linha completa que levaremos ao mercado em março. É uma linha ligada a uma tendência muito bem mapeada e que foi muito potencializada no ano passado, com a pandemia. 

Thiego Goularte: Estamos vivendo a COVID-19. Como isso te afetou, pessoalmente?

Flávia Drummond: Confesso que, no começo, foi um pouco enlouquecedor conciliar o trabalho em casa, com três crianças em tempo integral, incluindo um em fase de alfabetização. Agora, estamos mais adaptados e também mais organizados com a nova rotina.

Thiego Goularte: Você trabalha para uma empresa de bens de consumo e super-reconhecida no país. Como foi 2020 para vocês?

Flávia Drummond: Foi um ano diferente, claro.  Fico muito feliz em reconhecer que a empresa priorizou as pessoas. Essa cautela aconteceu em todas as frentes: na linha de produção, no campo, no escritório. Todos os cuidados foram tomados para garantir a segurança das pessoas. Tivemos de nos adaptar, aprendemos a trabalhar de forma remota e, depois, híbrida, e durante todo o período estivemos em equipe, ajudando uns aos outros.

Thiego Goularte: Qual foi o efeito da COVID-19 em sua estratégia de marketing?

Flávia Drummond: Em março, quando os casos de COVID-19 aceleraram no Brasil, estávamos com uma campanha forte de Vigor Grego. Optamos por pausar a campanha naquele momento e investimos nossos esforços na geração de conteúdo para ajudar as pessoas que estariam em casa, estabelecendo parcerias com profissionais e influenciadores de diferentes áreas, como nutrição, educação física e yoga, e levando ao público dicas de exercícios, receitas, meditação, entre outras. Nós também agimos rápido para ajudar a sociedade e colocamos geladeiras da Vigor em hospitais da cidade de São Paulo, que eram semanalmente abastecidas de produtos para o consumo pelos colaboradores desses centros, que sempre estiveram na linha de frente da pandemia. Fizemos também doações de alimentos para a população mais vulnerável.

Em agosto, voltamos ao nosso calendário de campanhas, com muita empatia e adaptando nossa comunicação ao novo momento dos consumidores.

Thiego Goularte: O que funcionou para você durante a crise?

Flávia Drummond: Reforçamos a nossa presença no digital, não só na mídia como também nos varejos, em e-commerce de clientes. Além disso, contribuímos para o pequeno varejo, com a divulgação de seu serviço de delivery.

Em mídia digital, a marca também gerou conteúdos que engajaram o consumidor e criou muitas ações em parceria com influenciadores. Uma das grandes campanhas realizadas foi a #EsseMomentoÉMeu, de Vigor Grego, que convidou os consumidores a terem momentos só deles ao longo da rotina corrida. Depois, como desdobramento da campanha e do novo posicionamento da marca, fizemos uma iniciativa importante de Outubro Rosa, com geração de informações sobre a importância do diagnóstico precoce de câncer de mama, por meio de parceria com uma importante fundação.


Thiego Goularte:
Vocês estão trabalhando com o time remoto? Se sim, como tem sido a troca com a equipe?

Flávia Drummond: Por alguns meses, desde março do ano passado, trabalhamos em modo remoto e, depois, passamos a trabalhar em modelo híbrido. Algumas pessoas têm ido ao escritório duas vezes por semana e, nos demais dias, estão trabalhando de forma remota. O modelo está funcionando bem, melhor do que esperávamos. Fizemos todo o planejamento de 2021 de forma remota e funcionou superbem.

Thiego Goularte: Após a COVID-19, você acha que os profissionais de marketing vão mudar conceitos sobre mercado, consumidor e afins?

Flávia Drummond: Penso que alguns conceitos ficaram mais evidentes e são inevitáveis, tais como necessidade de adaptação ágil às mudanças do consumidor; atenção ao ecossistema e presença onde for conveniente para o consumidor; a sua relativa infidelidadee, consequentemente, a necessidade de fazer com que ele crie vínculo com a marca; e a transformação digital. Além disso, percebemos que as tendências relacionadas à saudabilidade e à sustentabilidade foram muito aceleradas.

Thiego Goularte: O consumidor está mudando seus hábitos e de jornada constantemente, 2020 potencializou isso com o boom dos deliveries e compras em supermercados. Como vocês estão medindo isso?

Flávia Drummond: Medimos por meio de uma combinação de dados, que vão desde reports de nossos parceiros de delivery e de e-commerce de varejos até mensuração de dados de mercado, como Cielo e Nielsen.

Thiego Goularte: Você tem uma posição de CMO em uma das empresas mais conhecidas do país. Qual foi a coisa mais corajosa que você já fez e da qual se orgulha?

Flávia Drummond: É difícil eleger uma coisa. Eu me orgulho da jornada toda, de ter corrido riscos. Experimentei diferentes setores, como Varejo, Serviço, Financeiro e, agora, Indústria. Errei e acertei muito, mas tenho orgulho de ter feito o meu melhor sempre.

Thiego Goularte: Qual é seu conselho para os profissionais de marketing que estão começando a carreira?

Flávia Drummond: Sejam autênticos. Não tenham medo de errar e estejam sempre abertos a aprender e, se possível, vivenciar coisas novas. E ainda, se puderem, aprendam outros idiomas cedo porque depois de “velho” é bem mais difícil. 😉 As oportunidades podem não ser iguais para todos (ainda), mas elas existem e estão aí – e muitas empresas estão abertas às boas ideias e mentes.

Thiego Goularte: Como você acompanha as tendências? Poderia nos dar alguma dica de livro ou conteúdo que tem consumido?

Flávia Drummond: Acompanho “pescando” tudo, conectada nos reports, fazendo parte da “Makers”, trocando experiências, tudo com muita humildade para perguntar e pedir ajuda sempre que necessário. Ah, e estudando e lendo também, claro! Um livro de que gosto muito: “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”. Ele reflete muito o que eu penso sobre fazer primeiro, para depois receber.

Thiego Goularte: Que conselho você daria à Flávia mais jovem?

Flávia Drummond: Sempre repeti para mim (mesmo não sendo tão jovem): dois ouvidos e uma boca não são à toa (risos).

 

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