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SEUS INSIGHTS DA SEMANA
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O lugar do CMO no Board ainda está vazio. Quem vai ocupar essa cadeira?
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SXSW: consciência, infraestrutura e a próxima década da tecnologia.
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Dignos de clicar: a curadoria que vai te provocar e te fazer refletir durante a semana.


O lugar do CMO no board ainda está vazio. Quem vai ocupar essa cadeira?
Algumas das conversas mais importantes do marketing hoje não acontecem em palcos abertos, são em mesas menores, entre líderes que estão vivendo as decisões em tempo real.
Foi exatamente esse o espírito de mais uma Roundtable da Makers, encontro que reúne CMOs da comunidade para discutir, com profundidade e sem roteiro engessado, os temas que estão moldando o futuro da liderança em marketing.
Desta vez, a conversa aconteceu na Accenture Song e sobre um tema que está ganhando cada vez mais relevância: Como um CMO constrói, na prática, o caminho para ocupar uma cadeira no Board?
Aprofundamos desde a composição atual dos boards e os desafios de entrada até as competências necessárias para atuar nesses espaços.
E você que acompanha a Brands tem a oportunidade de acompanhar alguns insights exclusivos que aconteceram nessa sala com os maiores CMOs do país. Acompanhe abaixo!

Highlights Exclusivos | CMO no Board | Roundtable Makers
Presença de CMOs em conselhos ainda tem oportunidades.
Isso abre espaço para novas trajetórias. Um dos caminhos mais comuns passa por conselhos de organizações do terceiro setor, empresas privadas menores e participação em comitês temáticos, especialmente ligados a clientes, estratégia, inovação ou IA.
As competências exigidas vão além do marketing.
Governança corporativa, visão estratégica, tecnologia e inteligência artificial, transformação digital, ESG, diversidade e gestão de stakeholders aparecem como pilares fundamentais para quem quer atuar em boards.
Existe uma diferença estrutural entre conselhos administrativos e consultivos.
No conselho administrativo existe responsabilidade fiduciária e poder de decisão. Já no consultivo, o papel é recomendar e orientar, sem decidir. Entender essa distinção é essencial para respeitar limites de governança.
Formação ajuda, mas não é suficiente.
Programas como os do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa ajudam a construir repertório e credibilidade. Ainda assim, mentoria, networking e relacionamento com conselheiros e headhunters costumam ser fatores decisivos para a entrada.
Comitês podem ser portas de entrada relevantes.
Auditoria, pessoas, finanças, estratégia, ESG e ética são os mais comuns. Mas surgiu uma provocação interessante: a criação de comitês de clientes, trazendo a perspectiva do consumidor para dentro da governança corporativa.
A qualidade da atuação exige disciplina.
Boas práticas sugerem limitar o número de conselhos por profissional. Uma referência comum é até cinco assentos. Além disso, a preparação vai muito além do material enviado, exigindo estudo setorial e leitura profunda do contexto da empresa.
A presença de CMOs e lideranças de marketing em conselhos ainda é um movimento em construção.
E é exatamente para discutir temas como esse, com profundidade e sem superficialidade, que a Makers reúne líderes da comunidade em encontros como as Roundtables.
Veja as visões da SXSW por quem lidera as maiores marcas do país.
O que realmente importou na SXSW na visão de quem lidera o mercado?
A Makers foi para Austin com um objetivo atravessar o volume de informação e capturar os sinais que realmente importam para quem está na linha de frente do marketing.
Criamos o quadro “Caça CMO”, em parceria com Luiz Menezes, CEO da Trope-se, que foi nosso correspondente oficial e para encontrar, no meio da SXSW, CMOs e líderes da nossa comunidade e transformar suas leituras em inteligência aplicada.
Acesse nosso perfil e veja os vídeos com os principais encontros e conversas dessa jornada.

Por Beto Sirotsky Co-Founder da BPool
SXSW: Consciência, infraestrutura e a próxima década da tecnologia
Num contexto de tanta mudança e incerteza, o SXSW, em toda sua ampla programação e sua cuidadosa curadoria, parece ser um espaço onde iremos encontrar respostas. No entanto, no ano em que a “estrela” do festival enterra os tradicionais reports de tendências, talvez a maior certeza seja outra: a complexidade é o que temos.
Navegar pela incerteza passa a ser uma condição do nosso tempo.
Uma das palestras mais provocativas que acompanhei não falava diretamente de tecnologia, marketing ou negócios. O tema era a consciência. Na sessão “Decoding Consciousness, Psychedelics, and the Mind | Beyond Physicalism”, o neurocientista Christof Koch trouxe à tona um dos maiores mistérios científicos ainda em aberto.
A ciência ainda não consegue explicar como cerca de 1,4 kg de matéria dentro do cérebro humano são capazes de gerar experiências subjetivas como amor, medo, imaginação ou identidade.
Esse enigma é conhecido como o “Hard Problem of Consciousness”. Mesmo com avanços relevantes em neurociência, inteligência artificial e tecnologia de imagem cerebral, ainda não sabemos como os processos físicos se transformam em experiência subjetiva.
Um campo que voltou a ganhar atenção científica envolve as chamadas experiências místicas, relatadas em situações de quase morte, meditação profunda ou em estudos controlados com substâncias psicodélicas.
Pesquisas conduzidas por instituições como Johns Hopkins e Stanford indicam que essas experiências podem provocar mudanças duradouras na forma como as pessoas enxergam a própria vida, reduzindo a ansiedade e alterando a relação com a morte.
O tema da consciência se conecta com outra discussão muito presente no festival: o avanço acelerado da inteligência artificial. Se ainda não compreendemos plenamente como surge a consciência humana, também não sabemos afirmar com segurança quais seriam os limites de sistemas artificiais no futuro.
Discussões como essa se aprofundam em um momento em que a IA passa a funcionar como infraestrutura econômica.
Um ponto de atenção é a questão energética: sem energia não há data centers, treinamento de modelos ou escalabilidade computacional. O avanço da inteligência artificial depende diretamente de novas infraestruturas energéticas e de computação em escala.
A questão do impacto da IA nas relações humanas é outro tema transversal ao festival, assunto que impacta também a forma como interagimos com marcas e serviços. À medida que o generative coding e os chamados AI companions evoluem, interfaces tradicionais tendem a perder protagonismo. Aplicativos podem dar lugar a assistentes digitais capazes de intermediar grande parte das interações.
Trazendo a discussão para a agenda dos CMOs, estamos falando da migração de campanhas isoladas para um diálogo contínuo, mediado por agentes de inteligência artificial. Já abordei um pouco esse tema ao trazer reflexões sobre Leandro Barreto, Chief Marketing Officer da divisão Beauty & Wellbeing da Unilever, e seu ponto de vista sobre construção de marcas.
Em vez de campanhas pontuais, ele falou sobre worldbuilding: a criação de universos narrativos capazes de sustentar a consistência ao longo do tempo. Trabalhar em ecossistemas, então passa a ser fundamental. Estratégia global com leitura local, combinada com coragem para assumir posicionamentos contundentes, como a Dove vem fazendo há anos.
Creio que este ano o SXSW passou por uma reconfiguração importante: é tempo de intencionalidade. De olhar para o que temos, discutir e se posicionar em relação a questões relevantes e traçar rotas. Mesmo em meio à incerteza, é necessário agir.

💡Veja a cobertura da SXSW com membros da Comunidade Makers
💡YouTube libera anúncios de até 30 segundos em campanhas em TV.
💡Demanda internacional por profissionais brasileiros cresce 53%.

Existe um ponto em comum entre tudo que a gente trouxe nessa edição, mesmo que à primeira vista pareçam conversas diferentes.
De um lado, CMOs discutindo como ocupar cadeiras em conselhos e influenciar decisões de longo prazo. Do outro, reflexões sobre consciência, inteligência artificial e o tipo de infraestrutura que vai sustentar o mundo que estamos construindo.
No fundo, estamos falando da mesma coisa: nível de responsabilidade.
E isso muda tudo.
Muda o tipo de conversa que um CMO precisa estar, o tipo de repertório que precisa construir e, principalmente, muda o lugar onde ele precisa sentar.
A cadeira no board é uma responsabilidade de alto impacto, é o ambiente para participar das decisões que definem o futuro.
Assim como a discussão sobre IA não vão além de tecnologia, é avaliar quais sistemas, valores e estruturas estamos ajudando a construir.
Seguimos por aqui, criando os espaços onde essas conversas acontecem de verdade.
Te desejo uma ótima semana, grande abraço!








