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O varejo passou por uma transformação inimaginável nos últimos 24 meses. No que tange a modalidade de compra online, o e-commerce, segundo o eMarketer, o mercado cresceu 27% a nível global no período e o Brasil figurou entre os países que mais cresceram no mundo. Com este desafio, hoje converso com Luciana Iodice, CMO do Privalia, que está liderando todas as transformações e todo o crescimento da companhia nos último anos. O papo está ótimo e vai te trazer muitos insights. 😉

Thiego Goularte: Luciana, no que você está trabalhando, atualmente?

Luciana Iodice: Olá. Antes de mais nada, é um prazer participar desse bate-papo – obrigada pelo convite! Atualmente sou CMO da Privalia.

T: Você trabalhou em algumas grandes marcas no Brasil, como isso te influenciou a ser a profissional que você é hoje?

L: Ter tido a experiência de trabalhar com marcas de tantos setores diferentes foi sem dúvida muito rico, e todo recomeço me deu a oportunidade de, com humildade, aprender algo novo – e também de carregar esse aprendizado ao longo da minha carreira, trazendo valor, ao ter vivenciado perspectivas diferentes – desde o match de pessoas até o match de empregos, passando pelo varejo físico+digital, até o flash sales em outlet online. Todas essas experiências me ajudaram a entender sob diferentes óticas as necessidades do consumidor, e assim ajudar a liderar as estratégias mais eficientes para cumprir os objetivos de marca, com relevância.

 

T: Você está em um mercado muito competitivo, e-commerce, como tem sido esta transformação digital que este mercado vem passando?

L: A transformação digital abre um mercado novo, com mais opções e conveniência para os consumidores – e isso traz uma excelente oportunidade para os varejistas, assim como inúmeros desafios. Como uma empresa nativa e 100% online, faz parte do DNA da Privalia atender a um consumidor cada vez mais exigente. Terão vantagem competitiva os players que realmente conseguirem atender a essas expectativas em toda a jornada, e que forem fiéis às suas propostas de valor.

 

T: Em um ano super atípico, devido ao momento pandêmico, o papel do CMO também mudou?

L: O momento amplificou e reforçou a necessidade de adaptação rápida, e de entrega de valor ao consumidor e a todos os stakeholders. Na Privalia, por exemplo, olhamos para a necessidade do nosso cliente, oferecendo categorias mais relevantes para o momento; olhamos para as marcas, e decidimos criar uma iniciativa de ajuda ao negócio local; e olhamos para a sociedade, entendendo que podemos impactar positivamente o coletivo.

 

T: Vocês estão trabalhando com o time remoto? Se sim, como têm sido a troca com a equipe?

L: Nós adotamos um modelo híbrido, dando segurança às equipes tanto pelo trabalho remoto, quanto pela adoção de melhores práticas no convívio pessoal, permitindo assim, a proximidade física. A troca tem sido muito positiva, ao adotarmos ferramentas adequadas de comunicação, de gestão de tempo, e principalmente mantendo a proximidade, compartilhando resultados e objetivos, e ouvindo os feedbacks dos colaboradores para aprimorarmos essa relação. 

“Terão vantagem competitiva os players que realmente conseguirem atender a essas expectativas em toda a jornada, e que forem fiéis às suas propostas de valor.”

Luciana Iodice
CMO do Privalia

T: Após a pandemia, você acha que os profissionais de marketing irão mudar conceitos sobre mercado, consumidor e afins?

L: Acredito que a pandemia evidenciou ainda mais certos aspectos fundamentais como a adaptabilidade, a escuta ao consumidor, a eficiência e até mesmo as relações. O consumidor fica mais exigente, os padrões mudam – e nesse cenário, sem dúvida é fundamental rever crenças pré-estabelecidas.

T: Você trabalha atualmente com agencias? Se sim, como têm sido a relação já que também é uma parte do ecossistema que vem sofrendo muitas transformações?

L: Sim. Trabalhamos hoje com agências especializadas em performance, PR, e mídia e comunicação. As agências são parceiros estratégicos que funcionam como parte da nossa equipe, e é dessa forma que elas acrescentam valor. A relação é uma via de mão dupla: do nosso lado, é fundamental compartilharmos as metas, objetivos e contextualização. A agência, por outro lado, agrega em inovação estratégica e execução. Hoje, e cada vez mais, parceiros que entendem a fundo o negócio, e são pautados em resultados, contribuem significativamente nessa relação.

T: Qual skill será primordial para o profissional de marketing de agora em diante?

L: O entendimento profundo do consumidor, e a adaptabilidade. O “como” é apoiado por análise de dados, por construção de marca (e a sua relação com o consumidor), e por tecnologia e usabilidade.

T: Você é uma liderança feminina e tem uma posição de C-Level em uma empresa enorme. Qual foi a coisa mais corajosa que você já fez e que você se orgulha?

L: Durante a minha carreira, claro que vivenciei importantes momentos – como por exemplo, o desafio que assumi quando fui para a Espanha trabalhar com o mercado europeu, ou as transformações das quais participei – mas acho que para nós como líderes, a coragem está no dia-a-dia, ao quebrar velhos paradigmas ou percepções, ao tomar decisões – nem sempre fáceis – mas que tragam valor à companhia e às pessoas com as quais trabalhamos, e ao escolher e traçar os nossos caminhos – entendendo que nem sempre iremos acertar, e que podemos aprender com os nossos erros.

T: Para finalizar, qual seria o conselho que você daria para a Luciana mais jovem?

L: Eu diria para ela absorver ainda mais os aprendizados ao longo da carreira, na qual tive o privilégio de estar sempre cercada de líderes inspiradores. Acredito que o meu sucesso deve-se muito à inspiração e à sorte de ter trabalhado com profissionais incríveis – não só líderes, mas também equipe e pares. Do mesmo modo, absorver os aprendizados que são provenientes dos nossos erros – eles são tão fundamentais para o nosso desenvolvimento quanto os nossos acertos.