Como CMOs estão redesenhando seus times de marketing?

Se você não recebeu essa edição, inscreva-se aqui

Tempo de leitura: 6 minutos

SEUS INSIGHTS DA SEMANA

  • Menos pessoas, mais impacto? Veja como os CMOs estão redesenhando seus times de marketing.

  • CMO: entre a ruptura e a reconstrução.

  • Dignos de clicar: a curadoria que vai te provocar e te fazer refletir durante a semana.

 

Menos pessoas, mais impacto? Veja como os CMOs estão redesenhando seus times de marketing.

A estrutura organizacional do marketing está passando por uma recalibragem significativa.

Uma análise detalhada do CMO Insights Report, conduzido pela Invoca com 119 líderes do setor, aponta para uma tendência: a transição de equipes baseadas em volume para estruturas focadas em precisão e especialização técnica.

Este movimento não reflete apenas ajustes orçamentários, mas uma decisão estratégica deliberada de priorizar a agilidade e a mensuração de impacto direto na receita. Veja os quatro pilares dessa transformação.

1. Estruturas “Lean” e Liderança Flexível

A era das grandes estruturas departamentais aponta um movimento de modelos mais enxutos.
  • O relatório indica que apenas 6% dos departamentos de marketing operam hoje com mais de 100 colaboradores.

  • Em contraste, 62% das equipes possuem menos de 25 pessoas e quase 20% operam com menos de 10.

2. A Evolução do Perfil: Do Generalista ao Especialista Vertical

 
Talvez a mudança mais estrutural seja na composição do talento. Em apenas 12 meses, a presença de funções generalistas nos times caiu de 69% para 52%.

A complexidade crescente dos ecossistemas digitais impulsionada por algoritmos de busca baseados em IA e fragmentação de mídia exige profundidade técnica que o generalista dificilmente consegue cobrir com eficácia.

Os investimentos estão migrando para verticais específicas:

• Vídeo Marketing: Aumento de 17 pontos percentuais na contratação, refletindo a consolidação das estratégias video-first.

• Account-Based Marketing (ABM): Crescimento de 27% para 41%, indicando uma maior integração entre marketing e vendas para conversão de contas estratégicas.

• SEO Técnico: Alta de 7 pontos percentuais.

3. A Nova Matriz de Competências: Alfabetização de Dados

alfabetização de dados (62%) ultrapassou a criatividade (60%) como o critério número um de contratação para CMOs.

É importante notar que isso não diminui o valor da criatividade, mas recontextualiza seu papel. Em um cenário de escrutínio sobre o ROI, a capacidade de construir modelos de atribuição, interpretar analytics e otimizar performance em tempo real tornou-se o alicerce sobre o qual a criatividade deve operar.

4. Realocação de Canais: Foco na Retenção e Produto

A percepção sobre quais canais impulsionam o crescimento também sofreu ajustes. Táticas tradicionalmente associadas ao topo de funil e awareness viram um declínio na percepção de valor direto para a receita.
  • Demand Generation: Queda de 52% para 43%.

  • Product Marketing subiu para 37% e o Email Marketing para 35%.

Isso sinaliza um movimento “full-funnel”, onde a retenção e o LTV (Lifetime Value) ganham prioridade sobre a aquisição de tráfego amplo.

O Equilíbrio Humano

Embora os dados ditem a estrutura, o fator humano permanece como o diferencial competitivo. Peter Isaacson, CMO da Invoca, ressalta que em um ambiente de rápida obsolescência técnica, a curiosidade e a adaptabilidade continuam sendo os traços que separam os bons profissionais dos excepcionais.

Para 2025, o mandato para o C-Level é desenhar times que sejam tecnicamente profundos, analiticamente fluentes, mas que mantenham a agilidade para navegar as mudanças constantes do mercado.

CMO: entre a ruptura e a reconstrução

O cargo de CMO não passa por uma evolução incremental. Ele vive um processo de desmontagem e reconstrução estrutural.

Philip Kotler aponta The Future CMO: How Modern CMOs Win with Trust, Tech and Smart Visibility como a leitura mais atualizada sobre esse momento. De um lado, o CMO orientado por visibilidade, métricas difusas e reconhecimento criativo. Do outro, uma liderança responsável por impacto financeiro, valor mensurável e contribuição direta para o negócio.

Joeri Billast, autor do livro, afirma que a visibilidade isolada deixou de sustentar legitimidade executiva. Por isso, propõe o conceito de Chief Value Officer, como reconhecimento de que marketing precisa traduzir percepção, confiança e tecnologia em resultado e geração de valor. Quando isso não acontece, esse espaço passa a ser ocupado por funções como Growth ou Revenue.

Essa mudança do papel do CMO é explicada por um dado sensível citado no livro com base em pesquisas da McKinsey. A confiança dos CEOs na capacidade do marketing de demonstrar ROI caiu de 90% para 70% nos últimos anos. Ao mesmo tempo, embora a maioria das lideranças executivas busque visibilidade sobre o impacto direto do marketing na receita, apenas cerca de um terço dos CMOs utiliza métricas financeiras como principal referência de desempenho.

É nesse contexto que Billast apresenta a Equação de Valor, que estrutura o papel do CMO contemporâneo de forma objetiva: valor = percepção + confiança + resultado.

A tecnologia intensifica o desafio. O livro aponta que apenas 25% dos CMOs se sentem preparados para liderar iniciativas de inteligência artificial. Embora haja interesse e concordância conceitual, faltam estruturas bem definidas quando o debate avança para playbooks de IA, frameworks de compliance ou ainda jornadas do cliente apoiadas por inteligência artificial.

Essa conversa e troca já acontece na Makers

Os CMOs precisam se adaptar. A Makers, comunidade brasileira de CMOs, é um exemplo de articulação madura nesse sentido. Mais do que networking, funciona como espaço de troca estratégica, aprendizado coletivo e leitura antecipada de movimentos culturais, tecnológicos e organizacionais. A discussão se afasta de criatividade e campanhas isoladas e se aproxima de temas como confiança, valor e sustentabilidade do papel do marketing dentro das organizações.

O livro de Billast oferece uma leitura objetiva e urgente. À medida que as organizações exigem clareza sobre impacto e retorno, o espaço do CMO deixa de ser garantido pela narrativa e passa a depender da sua capacidade de articular percepção, confiança e, é claro, resultado.

Uma provocação necessária para começar 2026.

Explore como a BPool está apoiando CMOs a organizar seu ecossistema de parceiros de marketing.

 

💡Receita anual do YouTube ultrapassa US$ 60 bilhões

💡Amazon lança API para agentes de IA. Saiba mais sobre o Amazon Ads MCP Server.

💡A volta da formalidade no branding


Existe uma mudança acontecendo nos times de marketing.

Durante anos, crescer significava expandir estrutura, adicionar pessoas, abrir novas frentes. Agora, os dados evidenciam outro movimento: equipes menores, mais técnicas e muito mais orientadas a impacto direto na receita.

E há um ponto além dos números.

É cada vez mais nítido como o CMO se torna um arquiteto de competências. Alguém que precisa equilibrar profundidade técnica, clareza estratégica e, ao mesmo tempo, preservar curiosidade e adaptabilidade na equipe.

Porque dados organizam a operação, mas é o repertório humano que decide a direção.

Grandes marcas solicitam times mais precisos, mas também, precisam de líderes mais conscientes sobre onde colocar energia, onde simplificar e onde realmente vale investir.

Que essa reflexão ajude você a ajustar os pontos necessários para seu ano!

Te desejo uma ótima semana, grande abraço!

 

 

Agora, nós da Makers queremos muito te ouvir:
O que você achou da edição de hoje?

Conteúdos em destaque

Playbook: A Era da Comunidade

A era das comunidades e a ascenção das marcas nativas digitais Como as comunidades estão moldando o futuro das marcas. Resumo editorial:O playbook, explora a era das comunidades e a ascensão das marcas nativas digitais. A partir do case da Gummy, o material revela como construir e nutrir comunidades para

LEIA MAIS >